A sociedade moderna escreve Marx citando Peuchet, que por
sua vez cita Jean-Jacques Rousseau, é um deserto, habitado por bestas
selvagens.
Cada indivíduo está isolado dos demais, é um entre milhões,
numa espécie de solidão em massa. As pessoas agem entre si como estranhas, numa
relação de hostilidade mútua. Nessa sociedade de luta e competição impiedosas,
de guerra de todos contra todos, somente resta ao indivíduo é ser vítima ou
carrasco. Eis, portanto, o contexto social que explica o desespero e o
suicídio.
Segundo Marx sem uma transformação radical da estrutura
social e econômica sem a qual a sociedade não pode ser suprimida.
A natureza desumana da sociedade capitalista fere os
indivíduos das mais diversas origens sociais. O suicídio não é de modo algum,
antinatural, pois diariamente somos suas testemunhas. O que é contra a natureza
não acontece. Ao contrário, está na natureza de nossa sociedade gerar muitos
suicídios, ao passo que os tártaros não se suicidam.
Não se pode pretender medir a sensibilidade dos homens
usando-se uma única e mesma medida, não se pode concluir pela igualdade das
sensações, tampouco pela igualdade dos caracteres e dos temperamentos; o mesmo
acontecimento provoca um sentimento imperceptível em alguns e uma dor violenta
em outros. A felicidade e a infelicidade tem tantas maneiras de ser e de se
manifestar quantas são as diferenças entre indivíduos e os espíritos.
O que é contra a natureza não acontece. Ao contrário está na
natureza de nossa sociedade gerar muitos suicídios. O que dizer da indignidade
de um estigma lançado a pessoas que não estão mais aqui para advogar suas
causas?
Se o suicídio culpa alguém, é antes de tudo as pessoas que
ficam, nem sequer um indivíduo foi merecedor de que se permanecesse vivo por
ele.
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