sexta-feira, 23 de junho de 2023

Oração



 Altíssimo Deus do Universo





















Somos gratos pela vida que nos destes, por cada amanhecer que renova as oportunidades de te amar e servir, por cada anoitecer que nos permite dar descanso ao nosso corpo e liberdade a nossa alma.

Somos gratos pelo espaço sagrado que nos foi reservado na Mãe Terra, pelo alimento que nos dá sustento, pelo sol que nos aquece, pela água que nos purifica, pelo ar que respiramos. 

Somos gratos pela consciência que nos permite escolher, pelos desafios que nos fazem crescer, pela compreensão que aqui estamos para aprender e melhorar.










Somos gratos pelo teto que nos protege, pelo trabalho que nos impulsiona, pela família que nos completa e pelos amigos que trilham conosco no nosso caminho de vida.

 Somos gratos pelo corpo que sustenta nossa alma e torna a nossa jornada possível, pela saúde para cumprir nossas tarefas, pela mente sã que nos permite sonhar, pelos desafios que nos permitem crescer.

Somos gratos por todas as oportunidades, por todas as conquistas, por cada instante sagrado, por cada respiração, por cada pensamento, por cada sentimento revelado.


 








Somos gratos, principalmente, por termos a oportunidade de amar, cada vez mais e com a intenção mais nobre que existe em nossos corações.


segunda-feira, 15 de maio de 2023

 Eu sou o que sou 











Eu sou o que sou o que fui e o que serei

Eu sou processo constante de vir a ser

 Eu sou mulher, dom de Deus

Eu sou corpo, sou mente e coração em contínua evolução

Eu sou alma, sou humana, sou gente

Sou brisa e vento plasmada para o infinito

Sou versos e poesia

Eu sou livre

Eu sou amante da vida e dela sou aprendiz

Eu sou mais sentimental do que racional

Eu sou como brisa do mar sob a luz da lua

Eu sou o movimento da dança em liberdade na sua intensidade

Eu sou uma centelha de luz da grande luz do criador

Eu sou itinerante e acredito Naquele que cria e recria a vida

Eu sou corpo templo sagrado

Eu sou de Deus morada

Apesar das minhas imperfeições

Eu sou caminho e caminhante no caminho da eternidade

Neste meu peregrinar, sou artesã de mim mesma na arte de esculpir a minha verdadeira essência - ser no mundo o rosto da bondade de Deus

De coração e mente, vou esculpindo as camadas que escondem o meu eu vital e essencial que vibra com a verdade da alma interior, aquilo que na essência eu sou.

Um ser humano em constante transformação com a missão de ser artesã de mim mesma.



 

domingo, 7 de maio de 2023


Quaresma, Vida, Morte 

Ressurreição






















Quaresma é tempo de conversão
Tempo de retomar as origens da criação
Com jejum, silêncio e oração 
Tempo de reflexão que adentra a alma e o coração.

Lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar
A quaresma nos convida a meditar:
Viemos da terra e a terra vamos voltar
A oração de benção e a cruz das cinzas em nossa fronte,
Marca esse encontro da vida e da morte.

 Neste mundo, estamos apenas de passagem
Somos seres frágeis, criaturas mortais
Corpo e terra interagem
E, no silencio da sepultura,
Terra e corpo se misturam

É a vida nua
Sem armadura
No silêncio e no vazio
Já não conta mais os dias nem o tempo
És livre
Despida de qualquer aprisionamento
   

Na luminosidade do sol,
Liberta da terra e do pó 
A alma parte só
Acompanhada pela nuvem do céu
Que a envolve com seu véu 
Para definitivamente entrar na morada céu 

 A essência daquilo que fomos e marcamos no palco da vida,
Não se apaga no tempo
Nem com o ultimo respiro
A morte não o fim
É recomeço,
 Para além do que os olhos podem ver
Lá a vida ressurge resplandecente
Desvelando o mistério da existência. 

... “o pó volta para a terra de onde veio,
E, o sopro vital retorna para Deus que o concedeu”(Ecl 12,7)
A vida é mistério sagrado 
É morrer no entardecer,
E, nascer no primeiro ato do amanhecer
É sopro do Espírito 
Há de se compreender, só no amor.

Tarde luminosa
Que a alma verá de Deus a face
Reclinando o seu corpo, numa entrega total
E, na casa de Deus, eternamente morar
E, celebrar a vida e a morte em jubilo pascal

Quarenta dias em deserto
Nas fendas mais profundas da interioridade e do  silêncio sagrado 
Momentos sensíveis e intuitivamente vividos
Na beleza da contemplação
No centro a Palavra de Deus
Divina Presença
Palavra-revelação,
Rosto da compaixão e do amor comunhão

Palavra,
Mestra e guia em nossa travessia pelo deserto da vida
Palavra profecia
Deus presente em todos os tempos,
Palavra viva
Mistério contido
Fonte de sabedoria
Digna e fiel
Porta aberta para o céu

Na espiritualidade da cruz
A vida se transfigura para além da noite escura tão solitária e tão dura
Ao amor não correspondido, no peito um coração ferido e o olhar sereno
No límpido horizonte, o sol já desponta vibrante e místico
Na plenitude da vida, a alma descreve em versos o dissabor da dor, a doçura do amor e a formosura da ternura tão delicada e pura

Ao clarão da aurora, lá no infinito, a vida ressurge tão bonita
Sob a luz da lua e ao som pascal da aleluia
Em suave melodia, saudando a vida
Sopro de Deus



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Silencio

O Silencio


O silencio exprime grandes sentimentos: De dor, alegria e amor
O silencio dos grandes místicos, dos grandes santos, dos grandes amantes
Silencio e reciprocidade do corpo e da alma
Silencio saudável no desenvolvimento da espiritualidade 
Sem a dualidade do corpo e da alma

Silencio sagrado!
Rito de sabedoria universal
Entre o mundo material e a vida celestial
Experiência fundamental do encontro pessoal com o divino silencio de Deus
Clareando a consciência da vida presente em nós
 Que germina e cresce em profundo silencio

O silencio pode ser também combate espiritual
Para acalmar as tempestades da mente
E, genuinamente, traduzir os sentimentos e ensinamentos que ás vezes 
 a mente  não entende
Entrar no silencio requer tempo suficiente para sintonizar o corpo, a alma e a mente
O silencio não é separação, nem ruptura e nem fuga
O silencio é harmonização do ser
É caminho e oração
O silencio não pode ser negociado
A agua, o fogo, palavra, som...
Tudo isto se encontra explorado
Apenas o silencio não é comercializado

 O silencio é dom total
É um fundo musical suave e envolvente
Que une o céu e a mente ao som do silencio
E se revela mistério – kénosis de amor
Tudo é autentico na mística da consciência
Integrado ao discernimento difere o superficial do essencial
Tudo fica preenchido de calma, alma e paz

Levá-lo-ei ao meu silencio e aí lhe falarei ao coração (Oséias 2,16)
Infinito silencio!
Luz e consciência na essência da divina presença
Deus se revela suavemente como o murmúrio de uma leve brisa (1Rs, 19)
O  silencio torna-se oração que une corações:
O coração do orante e o coração de Deus
Em diálogo e ternura
Beleza e simplicidade entre o criador e a criatura
No aconchego e  intimidade do “eu” original 













A razão se cala
Em reverencia a divina presença do ser em Deus
O conhecimento de si e o conhecimento de Deus não se opõem
Assim como expressa Santa Teresa de Ávila: “Eu te busco em mim, eu te busco em Ti 
Porque és o meu aposento,
És minha casa e morada
E assim chamo em qualquer tempo,
Se acho no meu pensamento
Estar a porta fechada...

O amor de Deus é surpreendente
Escuta e fala no silencio da gente
O silencio é a forma com que Deus vem ao nosso encontro
O silencio é busca, respostas e encontros
Silêncios que se fundem
Tão sereno e tão profundo

O silencio não é solidão
É mística e contemplação na plenitude da solidão
É atravessar o deserto existencial e entrar no manancial da interioridade
Mergulhar no oásis da presença sagrada e aí descansar a alma
Junto ao manancial cantar hinos de louvor ao criador em harmonia com a criação,
E a multidão dos pobres em busca de pão
Pão do corpo, pão da justiça, pão da cura, pão da ternura, pão da calma, pão da alma...
No silencio há ausência e presença
 Se contempla dois momentos fortes a vida e a morte

Existe o silencio da negação
 O silencio dos indiferentes
O silencio como proteção de certas imposições
O silencio da morte
O silencio da ausência
O silencio das madrugadas
Ninguém pode fugir da voz da consciência latente na casa da sua mente
O silencio nunca é um vazio interior, vai além das aparências dos sentimentos 
É autoconhecimento que movimenta o sentido da nossa  existência

 O amor de Jesus Cristo passou pela solidão da paixão e o silencio do céu
A solidão de Cristo nas longas caminhadas da Palestina
A solidão no deserto de quarenta dias e ainda foi tentado pelo diabo
Cristo passou pelo cansaço, a sede e a fome...
E disse: não só de pão vive o homem (Mt 15, 34)
A solidão da cruz tão sombria e tão fecunda 

A noite anterior a sua morte no jardim do Getsemani, Cristo ficou triste e abatido
Prostrou-se com o rosto no chão no jardim da oração
Em que seu coração intuía o abandono e a traição daqueles que te seguiam  
No Getsemani da vida, ressoa seu forte grito
Um Som, um vazio, um clamor querendo ser ouvido
Meu Pai se for possível, afasta de mim este cálice (Mt 26,39)
Da terra ao infinito estremeceu esse grito
Preludio de dor de um coração que transbordava de amor
Um silencio contido no âmago ferido por ser entregue nas mãos dos inimigos
No jardim da decisão, levaram o Filho Amado à prisão, aos acoites, a cruz e a morte
Noite triste e sombria o Cristo foi insultado, atormentado e ferido por tiranos soldados
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Salmo 21)
Um clamor humano, dilacerante em seus lábios agonizantes









Quem ama de verdade, ama em profundidade

O silencio é feito de buscas, de cruzes, de dores e alegrias

De comunicação e revelação

De crucifixão e de ressurreição

Libertação e salvação






 





sábado, 28 de janeiro de 2023

Memórias



... das saudades que trago no coração – memórias










As brincadeiras de roda, subir em arvores, correr, cair, chorar, sorrir... Construir nossos brinquedos com latas, tecidos..., bonecas eram de milho ou de pano. Corríamos, pulávamos, brincávamos de pega – pega... tudo era festa na simplicidade e em cada detalhe daquilo que habitaram nossos corações de criança. A criatividade e a imaginação fluíam livres.

 Lembranças memoráveis.

 Quando chegava a noite, lá longe se escutava ecoar o canto triste e melancólico da Mãe da Lua (Urutau). Um canto solitário e introspectivo...

As noites eram iluminadas à luz do candeeiro ou lamparinas, a luz da lua e das estrelas que são testemunhas de muitas rezas, benditos, cânticos de Nossa Senhora, ladainhas, oração do terço. Nalguns intervalos, se ouvia som de grilos seguido pelo o eco das vozes das mulheres reunidas em oração (minha mãe, madrinha Ana, tia Geralda, tia Tiana...). Do lado de fora da casa, às risadas dos homens que ficavam reunidos contando causos, piadas e rindo muito. Só entravam no espaço orante na hora de se ajoelhar para cantar o bendito do Senhor Deus e pedir a benção dos santos no altar.  

 “Senhor Deus, pequei, Senhor,
Mas, pelas dores de vossa Mãe, Maria Santíssima, compadecei-vos de nós.”

Muitas vezes, no entardecer, havia as ajudas comunitárias dos vizinhos para a debulha do milho ou do feijão e prosear.

    Na hora do recolhimento para dormir e ao acordar pela manhã, era regra pedir a benção o pai, a mãe, avós, padrinhos, tios... 

Benção pai, benção mãe..., aguardando sempre a resposta “Deus te abençoe”.

A sinfonia dos pássaros no amanhecer na roça, o chão seco poeirento e ás vezes rachado, a vegetação rala e a cor marrom da seca.

Guardo ainda na memória a imagem do meu pai na janela da nossa casa, olhando para o céu vibrante de alegria aos sinais de que a chuva estava se aproximando.  Muita esperança e expectativa na espera da chuva. “Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”. 

Os sinais do céu, vejo de minha janela

Nela fixo meu olhar para o céu

Celebrando os sinais da chuva que vem chegando.

Minha mãe jogando milho para as galinhas e o leite fervendo no fogão a lenha e depois servido com cuscuz.

Os reisados em janeiro, momentos de festa, devoção e muita animação dos foliões.

As rodas de São Gonçalo, pagamento de promessas, com seu ritual de musicas, danças, devoção, benditos, estouros de foguetes e envolvimento das comunidades que vinham prestigiar o momento com o pagador de promessa e o santo.

Contemplar o pôr do sol à beira do Rio São Francisco sob um céu azul laranja no horizonte. As noites luminosas de estrelas no céu e a luminosidade da lua.

 O luar então todos hão de concordar: “Não há, oh gente, oh não! Luar como este do sertão” a lua clareando as rodas de conversas, as piadas, as risadas, as histórias, as saudades, as brincadeiras de roda das crianças, os caminhos das idas e voltas, o verde dos cactos, os tons marrons da seca e os nossos corações nas noites do sertão.

 

O marrom da seca e a luz intensa do sol, contrastam com o verde desbotado de uma e outra árvore e  o céu azul límpido completa a moldura da paisagem. Para uns desencantos e para outros um encanto sem fim.   


 



quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

CRUZ

 LUZ NA CRUZ











Quem consegue na cruz enxerga a luz?
Transcender as dores do corpo,
Para além da dimensão física que tonifica o espírito?
Entrar nas profundezas do “eu”, sem medo de morrer?

 E, enxergar a luz da verdade?
Depois da escuridão, nasce o sol de o novo dia.
A vida é imprevisível
Um constante morrer e renascer
Que envolve toda a nossa existência
É algo esplendente toma o coração e a mente

Cruz fiel, silencio do céu
Naquela noite escura, se revestiu de luz nos ombros de Jesus
Sacrifício profundo, força redentora para além dos sofrimentos físicos.
Silenciou muitos corações insensíveis
A cruz nos ensina a grande verdade
O amor de Deus pela humanidade
 Contentamento inesquecível e bem compreensível,

Fixei o olhar na cruz e meditei o amor de Deus
Existe algo fascinante entre Deus e o homem
É inexplicável, amor transbordante de ternura e loucura.

Um silêncio pleno de contemplação que culmina numa oração
A vida pulsa de esperança, renovação e afeição no amanhecer da ressurreição.
Sim, houve a sexta-feira da paixão
Mas Deus não é solidão
Ele é relação e comunhão Trinitária

 










 

Alegria e dor estão intimamente ligados
O dançar e o chorar são partes do mesmo movimento:
De ser e fazer diferentes
Entre o viver, morrer, acordar e ressuscitar
Tudo sobe ao céu
É lá o nosso destino final

Somos seres infinitos e integrantes do universo
A vida é movimento, estado de impermanência 
Dores e alegrias faz parte da nossa fragilidade existencial
É caminho de integração à nossa humana condição

Não importa o que ficou para trás
Seguir em frente é essencial
O mundo não pára

Encontrar na cruz a luz
Equilíbrio de mente e coração
A cruz é silêncio, esvaziamento e solidão.
Para escutar a voz de Deus no deserto do nosso chão

Para Deus manifestar não há tempo e nem lugar
Ele estará sempre a nos guiar
 E do tumulo a pedra arrancar e a vida ressuscitar
Nada foge do seu bondoso olhar no ir e vir do nosso caminhar




quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Em Busca de Deus


Em Busca de Deus




O que existe  para além desta vida?
Mistério escondido?
Qual luz inacessível nos espaços infinitos
Além das alturas, lá a onde o sol brilha.
Habitado em luz, beleza e solidão. 

Sua presença,    
Acalenta o sentido da nossa existência.
Quem consegue  penetrar e desvendar,
O mistério que circunda a vida e a morte?

 Silenciei,
Meditei e olhei para o horizonte distante
 Por alguns instantes reclinei para dentro de mim
E, memorei de onde eu vim.
Transpus a barreira da razão,
Para olhar a vida com os olhos do coração
Compenetrada em oração, flexibilidade e a sensibilidade do espírito.

 Sendo assim,
Existe uma forte atração
 Que transcende a consciência da mente,
E, sustenta a fé que em nós existe,
Intrinsecamente eterna e infinita
Numa só sinergia o céu e a terra ressoam em harmonia
Fé, força movedora da vida.
Cuja dimensão não podemos medir
Vai além daquilo que posso ver e sentir

Deus precede a nossa existência
Mesmo que vivemos muitas vezes na inconsciência
A vida tem raízes nas profundezas do coração de Deus
“Eu sou a videira, vocês são os ramos.”(Jo 15, 5)
Ele é a nossa origem e a essência do nosso ser   
 Pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17, 28)

A fé não é estática
  É conexão e movimento do corpo e da alma
  Dimensão una que unifica a vida e o corpo
Embora a vida seja a nossa pergunta de cada dia
Que ás vezes nos inquieta e nos sacia
Feito caminho de duas vias
De inquietação e nostalgia,
Na busca do encontro com Deus.
Mesmo diante da contradição dos sentimentos e da razão,
Contudo, não há razão para não ser alma e coração.
Quando O encontramos,
Ao seu amor inteiramente nos entregamos 

A vida é luz
Que com o tempo, como um sopro de vento se apaga.  
 É assim nossa existência
Certos de que um dia nos encontraremos,
Revestidos de luminosidade
Na eterna morada
Porque só o amor dá a vida

O amor ultrapassa qualquer razão
Vai além da  paixão
O amor é cálice oferecido
Cujas mãos estendidas,
Cabe o infinito
 Porque Deus assim permite

A  paixão de Cristo,
Caminho de suplicio derradeiro
No mistério da cruz,
Bem no centro da criação
Feito semente e grão
Que do céu desceu
Com a divina missão
De nos revelar a verdadeira face do amor.
“Amem-se uns aos outros” (Jo 13, 34)



























Pesquisar este blog